25 de março de 2017

EM LIVRO


Pois é, já tenho cadastro no que toca à falta de consciência ecológica. Não contente com a minha existência virtual, eis que publico em papel:



Mas trata-se de um belo livro, daqueles pequenos no tamanho mas grandes no prazer que dão aos olhos. (Não no caso acima forçosamente 😊!) É todo ele sobre Portugal, de norte a sul e de este a oeste. A editora é a Zest. E a capa é assim:


O meu contributo foi de dois desenhos. O primeiro vem na página 54, onde aparece a Avenida Central de Braga, com o Edifício do Moura Coutinho (publiquei-o inicialmente aqui):



O segundo vem na página 147, onde surge o Hotel Palácio Estoril (ver também aqui, no blogue dos USk, onde aparece com as cores mais fiéis ao original):



É engraçado como, em plena era digital, a versão impressa – palpável e tangível – continua a exercer um fascínio que no ecrã do computador se perde. Folhear um livro, sopesá-lo, cheirar as folhas de papel, passar as páginas para a frente a para trás (e não para cima e para baixo), é talvez uma prática com os dias contados. Mas enquanto existir, nós gostamos...

PS - O DN dedicou um belo artigo de fundo ao lançamento do livro, que pode ler-se aqui.

13 de março de 2017

BAGAS DE INVERNO


Não são de azevinho mas dir-se-ia que sim. E bem podiam servir para coroas de advento. Estas que tenho num canto do meu jardim mostram-se em todo o seu esplendor a partir de Novembro. Depois das chuvadas que tivemos em Janeiro e Fevereiro tive sorte em ainda encontrar algumas bagas intactas, batidas por este sol tão quente que temos tido em pleno inverno:



O nome não o sabia, mas depois de intensas buscas lá descobri: a planta, de folhas alongadas e bicudas, lanceoladas, que mudam de cor consoante a estação, passando do verde ao vermelho e ao acastanhado, chama-se "Nandina", também conhecida por Avenca do Japão ou Bambu Celeste. É um arbusto elegante e delicado, muito ornamental, de que sempre gostei muito, apesar da minha ignorância onomástica. Espero que vá dando mais umas boas estações de bagas, a pontuar de escarlate este pequeno quadrado verde, fragmento de natureza domesticada a que posso chamar meu:


5 de março de 2017

NO MIRADOURO DA VITÓRIA


Mais uma vez me dei conta de como desconhecemos o que nos está mais próximo. Refiro-me a lugares, se bem que as pessoas também possam ser exemplo disso. Nunca em toda a minha vida tinha descido a Rua de S. Bento da Vitória, em pleno coração do Porto, que desemboca no miradouro homónimo (propriedade privada mas aberta ao público – até quando, é caso para apreensão). Fi-lo num sábado, dia 25 de Fevereiro, uma manhã radiosa em que os PoSk tiveram o 12º Encontro. A vista é assombrosa, e mais assombrada estava eu por nunca ali ter ido. A aguarela, pintada depois em casa, ficou assim:


Sentada no meu banquinho de pescador, rabisquei no local a Sé, o Palácio Episcopal, a Igreja dos Grilos e a Ponte D. Luís:


Sob um sol dir-se-ia de Verão, tive de me pôr em manga curta, com o casaco de malha ridiculamente pousado sobre a cabeça a fazer as vezes de chapéu, enquanto as hordas de turistas iam e vinham. No fim da manhã, tirámos todos sorridentes a fotografia de grupo, cortesia do António Osório:




20 de fevereiro de 2017

O QUARTO DA MINHA FILHA


Aqui vai, atrasadíssimo, o desenho correspondente ao dia 6 de Fevereiro do "A Drawing a Day": "room". Aproveitei um momento raro em que o quarto ao lado do meu estava arrumado e deitei mãos à obra:




Não foi fácil desenhar de tão perto uma cama de dossel, que equivale a encaixar um cubo enorme, feito apenas de arestas, num outro cubo (o quarto) com outras tantas linhas. Mas lá dá para ter uma ideia... Pergunto-me quanto mais tempo este quarto estará assim, habitado e iluminado pela presença tão vibrante como caótica da sua ocupante. Uma parte da mãe que sou deseja que assim continue por muitos anos; outra parte sabe que isso nem sempre é bom sinal. Felizmente, a decisão não é minha. O quarto, esse, será sempre dela. É o quarto a que poderá sempre regressar.

6 de fevereiro de 2017

ARCA DE NOÉ


Eis o resultado de um sábado de dilúvio com o meu filho de seis anos em casa a desenhar ao meu lado...



Trata-se da primeira sugestão que agarro do Desafio "A Drawing a Day" para Fevereiro (sim, o desafio continua!). A dica do dia 4 era "Animal"... e não consegui decidir-me só por um!


1 de fevereiro de 2017

TAXI DRIVER


A deixa do último dia de Janeiro do "A Drawing a Day" era "character". Depois de muitas gazetas, esta eu tinha de agarrar. É que soube desde logo qual queria escolher: a personagem de Scorcese. Desenhei Travis na versão pós-certinha, já vestido a rigor para o desastre:


Não me canso de rever este filme belíssimo (de 1976), nem de apreciar De Niro na pele do taxista icónico, um veterano de guerra mentalmente instável que percorre as noites de Nova Iorque num percurso descendente de revolta, solidão e morte.

29 de janeiro de 2017

THE SEA, THE SEA


Outro desenho para o "A Drawing a Day", este a responder à deixa "Landscape", do dia 28 de Janeiro. Nada como uma brincadeira assim, feita em conjunto, para nos motivar a desenhar! Escolhi uma paisagem marinha, de Leça da Palmeira, com a barra do Porto de Leixões ao fundo e um céu ameaçador:


E, como título, o do romance de Iris Murdoch (Prémio Booker de 1978), que acho lindo!

25 de janeiro de 2017

SELFIE


Mais uma tentativa de auto-retrato, desta vez como resposta ao "A Drawing a Day" de anteontem, dia 23. Fiquei com a cara esticada, com o nariz afilado tipo Michael Jackson e com uma testa que nunca mais acaba, mas não pude corrigir nada pois o desenho foi feito directamente a tinta, sem contemplações nem desculpas. Pus-me ao espelho com uma luz lateral forte, para conseguir sombras marcadas. Diga-se em rodapé que o meu filho de 6 anos me reconheceu, o que é sinal de alguma coisa – de quê não sei (mas palpita-me que seja de que tenho afinal a cara mais torta e esquisita do que pensava)...




20 de janeiro de 2017

UMA CHÁVENA MATINAL


O título do desafio "A Drawing a Day" do passado dia 17 era "CUP". Optei por uma "teacup", acrescentei-lhe um "saucer" e obtive a chávena (de chá) e o pires em que todas as manhãs tomo o meu... café:


Li algures que, depois de um período de guerra, a coisa de que muitas pessoas mais gostavam era poder tomar o café da manhã enquanto liam o jornal do dia. Ou seja, uma situação tão banal simbolizava não só o prazer das coisas simples e a segurança dos gestos rotineiros mas também... a própria paz. Viva ela, pois, a paz! (Que sortudos somos...)

18 de janeiro de 2017

RIDÍCULO


Chamar-lhe ridículo é talvez enganador. Talvez ele meta mais medo do que vontade de rir. Mas a apresentação e a mímica desta figura peculiar têm bastante de cómico. O cabelo. Os esgares. O efeito "escaldão com óculos de sol". Ora, a deixa para o desafio "A Drawing a Day" de 16 de Janeiro era o adjectivo em epígrafe. E não encontrei nada, nem ninguém, de mais ilustrativo do que este (assim chamado) "pig in a wig":


Na língua inglesa, o termo "pig" surge em expressões variadas, naturalmente pejorativas. Um machista é um "chauvinistic pig"; um racista é um "racist pig". E, como uma das muitas pérolas com que este homem brindou a população feminina foi a de lhes chamar "pigs", devolvo-lhe a gentileza, com pena no entanto do inocente suíno, que não merecia ser assim destratado.

Descobri entretanto que esta versão caricatural já tem vários precedentes. Deixo aqui alguns:

16 de janeiro de 2017

UM INTENSO DESEJO


O título de hoje é a tradução de "craving", o nome do desafio "A Drawing a Day" de 15 de Janeiro. Nunca tinha feito uma aguarela assim, de doçaria e gulodices. Mas gostei de trabalhar no plano do pormenor, habituada que tenho andado ao desenho urbano em grande escala:


Que versão mais cândida do desejo haverá que a estomacal? Mas, como é sabido, o desejo esfuma-se quando consumado. Daí que me esforce por manter estas bombas calóricas no plano do apetite – e não da saciedade. Há que manter a chama acesa. 😁

15 de janeiro de 2017

NANÁ AO QUADRADO


Fiz este esboço duplo da minha gata, num blocozinho de folhas finíssimas que tinha à mão, em resposta ao desafio "Um desenho por dia", lançado pela SketchBook Skool. A deixa do dia 14 (ontem) era "pet" – e o meu animal de estimação, único e absoluto, é a Naná, já pintada aqui e desenhada ali. Ei-la, de novo:


 E agora a cores:




Não me parece que consiga seguir o desafio com um mínimo de assiduidade, mas há-de haver um ou outro que me apeteça tentar... Deixo aqui a lista de dicas para o mês de Janeiro:



13 de janeiro de 2017

UMA ESQUINA DO BAIRRO ALTO


Fica no Largo do Carmo e, por entre as árvores despidas, os prédios recuperados estavam lindos, a resplandecer ao sol de inverno. Este que desenhei, sob aquele céu tão azul, foi precisamente o hotel em que ficámos, numa escapadinha em família de 3 dias – o Hotel do Carmo:


Adoro estes novos hotéis em Lisboa, implantados em prédios antigos, mas respeitando a traça original, a fachada, as sacadas e os tons pastel. Há-os para todas as bolsas, desde o segmento de luxo à versão 'hostel' e dos apartamentos, mas todos primam pelo bom gosto e por projectos arquitectónicos que respeitam a identidade e a alma do local. Eu não resisti a desenhar esta perspectiva, algo difícil, mas que para variar não me saiu mal de todo:


E não resisto também a impingir dois retratos meus in loco, o da esquerda numa das sacadas do primeiro andar, que me trazem boas recordações de uma paragem invulgar nas rotinas de Janeiro:




8 de janeiro de 2017

OS 100 ANOS DA ESTAÇÃO DE S.BENTO


A minha primeira publicação de 2017 é, afinal, de 2016 – mas do último dia, pelo que ainda se reveste de alguma novidade! Trata-se do desenho que fiz, na companhia dos Porto Sketchers, na tarde do dia 31 de Dezembro, para celebrar o centenário da Estação de S. Bento (vejam aqui alguns dados históricos interessantes). Estava um dia lindo, cheio de sol... e briol. E eu, sentada no meu banco novo de tripé, mesmo em cima da perigosa curva descendente, lá me lancei àquela quantidade de informação, sempre incapaz de a resolver com poucas linhas:



A páginas tantas, já cansada, com os pés gelados e quase a ponto de atirar com o caderno a algum dos turistas que constantemente se interpunham entre nós e a Estação, dei por terminado o esboço. Como disse depois, foi a versão possível dos 100 anos de S. Bento, com 100 gatos e 100 paciência para mais... Enfim, salvou-se o sorriso, num grupo muito simpático e produtivo:


Foi uma bela maneira de encerrar o Ano Velho!

31 de dezembro de 2016

UM NU PARA FECHAR O ANO


Com o frio que está lá fora não apetece muito tirar a roupa, mas esta modelo não se mostra nada arrepiada. Encontrei-a num site chamado "Quick Poses" para aprendizes de gatafunhices (como eu), onde algumas almas caridosas se despem para bem da arte. É o primeiro nu que aqui publico, e é um pouco inglório pois não foi feito ao vivo, mas a olhar para a fotografia. Bah! Servirá para dizer adeus ao ano velho – e fazer votos para que 2017 nos deixe mais aconchegados e menos despidos, digamos, de esperança!